Vitorino e Murta Advogados

Negócio jurídico processual com a PGFN: quando a empresa deve avaliar essa alternativa?




Quando uma empresa deve avaliar um negócio jurídico processual com a PGFN?

O negócio jurídico processual pode ser avaliado quando a empresa possui débitos inscritos em dívida ativa e precisa organizar aspectos concretos da cobrança, como garantias, cronograma de atos processuais, forma de constrição de bens ou estrutura de amortização do débito.

Ele tende a fazer mais sentido quando existe uma situação específica que não é resolvida apenas pela adesão a um parcelamento ou por uma transação tributária padronizada.

Por exemplo, uma empresa pode possuir ativos relevantes já vinculados à execução, necessidade de substituir uma garantia ou capacidade de pagamento que exige uma estrutura de amortização compatível com o fluxo financeiro.

O ponto central é compreender que o NJP atua sobre a forma como a cobrança e o processo serão conduzidos, dentro dos limites legais e mediante negociação com a PGFN.


O que é um negócio jurídico processual com a PGFN?

O negócio jurídico processual é um instrumento de negociação fundamentado no Código de Processo Civil e regulamentado, no âmbito da PGFN, para tratar de aspectos relacionados à cobrança de débitos inscritos em dívida ativa da União e do FGTS.

A Portaria PGFN nº 742/2018 disciplina especificamente a celebração de NJP em sede de execução fiscal.

Na prática, o contribuinte apresenta uma proposta diretamente à PGFN e demonstra por que determinada organização do procedimento pode permitir uma cobrança mais eficiente e compatível com a situação concreta.


O que pode ser negociado em um NJP com a PGFN?

A PGFN informa atualmente que a negociação pode abranger diferentes aspectos da execução fiscal.

Entre eles estão:

  • calendarização da execução fiscal;
  • criação de plano de amortização do débito fiscal;
  • aceitação de garantias;
  • avaliação de garantias;
  • substituição de garantias;
  • liberação de garantias;
  • modo de constrição de bens;
  • forma de alienação de bens.

Outras modalidades específicas de negócio processual também podem tratar, dentro dos limites legais, de temas como cálculos, recursos, cumprimento de decisões e ordem de determinados atos processuais.

Por isso, a empresa deve começar pela pergunta: qual problema concreto da execução precisa ser organizado?


Qual é a diferença entre NJP e transação tributária?

São instrumentos diferentes e não devem ser tratados como sinônimos.

Negócio jurídico processual Transação tributária
Organiza aspectos processuais e da cobrança. Negocia o passivo dentro das modalidades previstas em lei e regulamentação.
Pode tratar de garantias, constrições e atos processuais. Pode envolver descontos, prazos, entrada e outras condições previstas na modalidade.
Não é mecanismo automático de redução do principal. Pode prever benefícios dentro dos limites legais.

Para uma visão geral das negociações fiscais, consulte o conteúdo sobre gestão de passivo tributário empresarial.


Como o NJP pode ajudar quando a empresa possui bens penhorados ou garantias relevantes?

Esse é um dos usos mais importantes do instrumento.

A PGFN admite negociação envolvendo aceitação, avaliação, substituição e liberação de garantias.

Isso pode ser relevante quando, por exemplo:

  • um bem essencial à operação está constrito;
  • a empresa pretende oferecer garantia alternativa;
  • existe garantia superior ao necessário para a estrutura da cobrança;
  • há necessidade de organizar venda de ativo para amortizar o passivo;
  • a garantia perdeu valor e precisa ser reforçada ou substituída.

A análise precisa demonstrar por que a alternativa proposta preserva o interesse da Fazenda Nacional e permite continuidade mais racional da cobrança.


O NJP pode criar um plano de amortização da dívida fiscal?

Sim. A regulamentação permite que o NJP envolva plano de amortização do débito fiscal.

Nesse formato, a empresa apresenta uma estrutura para pagamento periódico da dívida dentro das condições negociadas com a PGFN.

A análise pode considerar:

  • fluxo de caixa da empresa;
  • capacidade de geração de recursos;
  • patrimônio disponível;
  • garantias existentes;
  • outros credores relevantes;
  • cronograma de amortizações proposto.

Isso não significa que qualquer prazo ou valor proposto pelo contribuinte será aceito.

A estrutura precisa ser negociada e demonstrar viabilidade.


O que significa calendarização da execução fiscal?

Calendarizar significa organizar previamente determinadas etapas e atos processuais de acordo com um cronograma definido entre as partes, quando juridicamente cabível.

Em uma execução fiscal complexa, essa organização pode trazer maior previsibilidade para atos relacionados à cobrança.

A empresa precisa, porém, compreender exatamente quais atos ficarão submetidos ao calendário e quais obrigações continuará tendo durante sua vigência.

O NJP não paralisa automaticamente todo o processo nem elimina as responsabilidades do contribuinte.


Quais são os limites de um negócio jurídico processual?

O NJP não permite que as partes negociem livremente qualquer aspecto da dívida.

A regulamentação da PGFN estabelece limites para o conteúdo desses acordos.

Entre eles, o negócio não pode:

  • extrapolar os limites previstos pelo Código de Processo Civil;
  • envolver disposição de direito material pela União fora das hipóteses legalmente autorizadas;
  • prever condições cuja execução dependa de outro órgão sem a anuência necessária;
  • ser estruturado como mecanismo informal de concessão de benefício tributário não previsto em lei.

Por isso, o instrumento deve ser utilizado para organizar o procedimento e a satisfação do crédito, e não para criar benefícios tributários que pertencem a outros regimes jurídicos.


Quais documentos a empresa precisa apresentar para propor um NJP?

O requerimento é apresentado pelo REGULARIZE e precisa trazer documentação suficiente para a PGFN avaliar a proposta.

Entre as informações atualmente exigidas estão:

  • qualificação completa do requerente e dos administradores;
  • informações sobre a situação econômico-financeira da pessoa jurídica;
  • relação de bens e direitos da empresa;
  • localização, destinação e valor dos bens;
  • informações sobre bens de controladores, administradores e representantes, nos casos exigidos;
  • ônus e restrições existentes sobre os bens;
  • documentos relacionados às garantias;
  • proposta concreta de negociação;
  • informações necessárias para demonstrar viabilidade do acordo.

A PGFN também exige, em determinadas estruturas, declaração relacionada à alienação de bens durante a vigência do plano de amortização.


Quando o NJP pode fazer sentido na prática empresarial?

O instrumento merece análise principalmente quando existe um problema concreto de execução que precisa de solução estruturada.

Cenário Questão a negociar
Bem operacional penhorado Avaliar substituição ou reorganização da garantia.
Empresa pretende vender ativo Organizar alienação e destinação de valores.
Execução complexa Definir calendário ou forma de prática de determinados atos.
Passivo exige pagamento estruturado Avaliar proposta de plano de amortização.

Quando o problema da empresa é essencialmente obter desconto, parcelamento ou condições econômicas próprias da transação, outro instrumento pode ser mais adequado.


O que acontece se a empresa descumprir um NJP?

O negócio jurídico processual pode ser rescindido nas hipóteses previstas na regulamentação e no próprio acordo.

A PGFN informa, entre outras hipóteses, situações como:

  • inadimplemento de amortizações nas condições previstas;
  • atos de esvaziamento patrimonial;
  • descumprimento das cláusulas do acordo;
  • deterioração de garantia sem reforço ou substituição quando exigidos;
  • não homologação judicial, quando necessária.

A rescisão pode levar à execução das garantias e à retomada da cobrança.


O que avaliar antes de propor um negócio jurídico processual à PGFN?

Uma sequência prática pode ser:

  1. mapear os débitos inscritos em dívida ativa;
  2. identificar as execuções fiscais relacionadas;
  3. levantar penhoras e garantias existentes;
  4. definir qual problema processual precisa ser resolvido;
  5. avaliar se NJP é realmente o instrumento adequado;
  6. mapear patrimônio e capacidade financeira da empresa;
  7. estruturar uma proposta concreta e executável;
  8. reunir a documentação econômico-financeira e patrimonial exigida;
  9. protocolar o pedido pelo REGULARIZE e acompanhar a análise.

A Vitorino & Murta atua na gestão de passivos tributários empresariais, incluindo análise de execuções fiscais, garantias, transações e alternativas de negociação com a Fazenda Nacional.

Empresas que precisam reorganizar dívidas inscritas em dívida ativa podem consultar a atuação do escritório em gestão de passivo tributário empresarial.


Perguntas frequentes sobre negócio jurídico processual com a PGFN

O que é negócio jurídico processual na PGFN?

É um instrumento pelo qual o contribuinte e a PGFN podem negociar aspectos do procedimento de cobrança de débitos inscritos em dívida ativa, dentro dos limites legais.

O NJP pode dar desconto na dívida tributária?

O NJP não deve ser tratado como modalidade automática de desconto. Sua função principal é organizar aspectos processuais, garantias, constrições e formas de satisfação do crédito.

É possível negociar a substituição de uma penhora?

A PGFN admite que o NJP trate de aceitação, avaliação, substituição e liberação de garantias, desde que a proposta seja analisada e aceita.

Pode haver plano de amortização no NJP?

Sim. A regulamentação prevê a possibilidade de criação de plano de amortização do débito fiscal dentro do negócio jurídico processual.

Como a empresa apresenta uma proposta de NJP?

O pedido é protocolado pelo REGULARIZE, acompanhado das informações e documentos exigidos pela regulamentação e da proposta concreta de negociação.

O que acontece se o NJP for descumprido?

O acordo pode ser rescindido nas hipóteses previstas, com possível execução das garantias e retomada da cobrança do crédito.


A execução fiscal da empresa exige uma solução específica para garantias, bens ou forma de pagamento?

A Vitorino & Murta analisa as execuções, garantias, patrimônio e capacidade financeira da empresa para avaliar se um negócio jurídico processual com a PGFN pode integrar a estratégia de reorganização do passivo tributário.

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